quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Um dia, hei de acordar ouvindo a música dos pássaros.
Daquelas intensas, que ecoam roucas, de tão cantadas a encantar quem as ouve.

— KM.

Agora quero um ipê
(Me dança esse catupê)
Ou me traz um pinheiro
(Eu me viro com teu cheiro)
O ideal seria uma erva
(Daquelas em conserva)
Mas me cabe um guabiju
(Que não venha com sabitu)
Por que não fruta-do-conde?!
(Ora essa, ela se esconde)
Fiquei então com a figueira
(Eu me habituei na cegueira)

— KM.

Eu já vivi num distante mundo
onde quem dançava valsa eram os elefantes
E do abismo mais profundo
eu podia vê-los provando seus trajes elegantes
Um dia sentei-me a ver o por do sol
e após horas de espera
A lua veio fisgada por um anzol
trazendo a noite em sua esfera
Mas nesse abstrato paraíso
eu me estranhava com as gaivotas
Já que sem nenhum sorriso
elas retornavam em cambalhotas
Havia um bando de capivaras
que de costume dormiam no rio
Gritando alto feito araras
para tentar espantar o frio
Só que diferente mesmo
na verdade era a chuva
Que enquanto corria a esmo
se escondia num pé de uva
De todos os mundos que conheci
esse foi, sem dúvidas, especial
Até que no dia que parti
desejei que o sonho fosse real.

— KM.

O café acompanha o começo do dia
Enquanto o uísque o fim da vida

— KM.

Que o mar venha com toda a riqueza que nosso interior puder obter
E que nas melhores energias possamos satisfazer quaisquer vontades
Que o nosso maior objetivo seja estar em paz a cada onda saltada
Que as noites de lua sangrenta nos tragam maior serenidade nas decisões
E finalmente, que nossos maiores prazeres se eternizem na essência de ser quem realmente somos.

— KM.

dilata meu peito,
faz de um sujeito
mal-feito-desfeito
o seu leito sem jeito;
respeito cada defeito,
suspeito,
me endireito,
e insatisfeito,
rejeito.


— KM.