domingo, 20 de março de 2016

Almejo
E do tanto que desejo
Chega lacrimejo

Conto-te a história de uma dama
Que buscava mais além de uma cama

Mais além que um cobertor
Um corpo nu para fazer calor

Queria também um carinho
De vez em quando daquele rapaz sozinho

Já que não se pode ter tudo
Aceitou um olhar mudo

Para quem pouco se importava
A dama se jogava

Insatisfeita
Ela se rejeita
E se endireita

Quer encontrar quem a ame
E mais ainda que a chame

Que a chame de amor, ou pelo nome
Ela quer alguém pra dividir o sobrenome

Mas que divida o fundo da alma
Que fale baixinho e com calma

Com calma pra fazer acontecer
Cada detalhe do que ela quer viver

O tempo voa
E à dama magoa
Sem trazer uma pessoa
Que fosse de vontade boa

Esperou anos pela perfeição
Que acabou morrendo em vão

Essa jovem era eu
Mas não morri do corpo que era teu

Eu morri de desgosto
Por não mais ver aquele rosto

Rosto sagrado
De quem migra pro pecado

Rosto aquele

Que eu te via nele.

— KM.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

  em ordem,
ordeno-te:
ordenha-me,
ordinário!
— KM.
Eu afaguei o teu medo e te cuidei
como quem não quisesse nada.
Eu te enfiei embaixo de minh'asa
para tu esconderes e ficares seguro.
Mas eu suguei tua alma perdida em emoções
e te trouxe pra realidade de quem não sabe amar
e nunca soube.
Eu te usei da maneira mais suja e recíproca 
que valeu por todas as outras vezes.
— KM.
Tua pureza, tamanha ingenuidade.
Tanto recato, realeza!
‘Mas isso devido à sua idade’
~eles diziam, o olhar sem brilho e nem luz.
Se conseguissem enxergá-la
do fundo dos olhos até a alma,
Saberiam, de certa forma, apreciá-la
e eu me deitaria com calma
na nudez de seus lençóis bagunçados

~na bagunça de seus lençóis nus.

— KM.